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O hábito franciscano

20 outubro 2011 | No Comments » | Emerson

Por ser o primeiro que chama a atenção de quem se aproxima dos franciscanos, o tema do hábito suscita curiosidade e surpresa ao mesmo tempo, pois sua forma e cor variam segundo as distintas famílias franciscanas. Deve-se esclarecer, em primeiro lugar, que nenhuma das atuais Ordens ou congregações franciscanas, nem por forma nem por cor, veste o hábito de São Francisco, que era em forma de cruz e de lã cinza. O pano, com efeito, não era tingido, mas tecido com lã branca e negra natural misturadas que lhe dava o tom cinzento.

Há quem afirme que o Santo de Assis e seus companheiros no início não se vestiam de modo diferente dos pobres e camponeses de seu tempo, mas isso não é o que se deduz de seus escritos e biografias. É certo que o modo de vestir dos frades Menores (túnica larga, capuz, cordão e calças) era mais pobre que o de qualquer religioso daquele tempo, mas não por isso deixava de ser um distintivo religioso que os diferenciava dos seculares.

As duas Regras de São Francisco e os biógrafos do Santo falam da humildade e vileza do hábito dos Irmãos Menores, sem oferecer detalhes quanto à cor ou à forma da túnica e do capuz, pois o mais importante para Francisco e para seus companheiros era a  modéstia e a pobreza. A segunda Regra impõe aos frades não julgar nem desprezar “aos que vestem roupas nobres e coloridas”, pelo que deduzimos que a cor devia ser natural. Graças aos biógrafos e às túnicas que se conservam de São Francisco sabemos que estas tinham forma de cruz ou de um TAU, como expressão de que o Frade Menor deve crucificar em si mesmo as paixões deste mundo.

Quanto à cor, só no Espelho de Perfeição lemos que o Santo preferia a cotovia entre todas as aves, porque “tem um capuz como os religiosos e é um pássaro humilde… Sua roupagem, ou seja, as plumas, têm a cor da terra, e ela dá exemplo para os religiosos de que não é necessário ter roupa nobre ou colorida, mas modesta no preço e na cor, como a terra, que é o elemento mais vulgar”. A terra, porém, como todos sabemos, tem uma infinidade de tonalidades. Tomás de Celano, no Tratado dos Milagres, fala de um “pano cinzento” como o dos cistercienses da Terra Santa, que Jacoba de Settesoli trouxe de Roma a Francisco moribundo. A única referência à cor do hábito do Santo a encontramos na Crônica de Rogério de Wendover (morto em 1236) e de Mateus de Paris, onde se diz que “os frades que se chamam menores… caminhavam descalços, com cinturão de corda, túnicas cinzas, largas até os calcanhares e remendadas, com um capuz grosseiro e áspero”.

Em um documento do ano 1233, o rei da Inglaterra ordenava ao visconde de Londres a aquisição de certa quantidade de panos, a metade de “blaunchet” o branco para os Dominicanos, e a metade de “griseng” ou cinza para os Menores. Em 1259, o visconde de Cerwich comprava também certos tecidos de “russet” para as túnicas dos frades Menores de Reading. O “russet” era o “rusetus pannus” de cor avermelhada, resultado da mistura natural de lã branca e parda. As Constituições de Narbona de 1260 estabeleciam que “as túnicas exteriores não fossem nem totalmente negras, nem totalmente brancas”, o qual desejava uma ampla margem de tonalidades de cinzas. Nos afrescos de Giotto da Basílica superior de Assis podemos ver, em uma mesma cena, hábitos acinzentados e róseos, porém sempre em tons claros. As Constituições Farinerias del 1354 só impõem que os superiores não permitam o uso de tecidos com “fios de diferentes cores, nem demasiado próximos ao branco ou ao negro”.

A variedade de tonalidades de hábito primitivo se devia, de um lado, à diversidade natural da cor da lã, de outro, ao fato de que os tecidos para as túnicas não eram confeccionados exclusivamente para os frades, mas estes os recebiam como esmola dos benfeitores. Eram eles, portanto, os que escolhiam a cor e a qualidade do tecido, embora sempre sob o controle do superior, segundo as Decretais de João XXII (1317) e Bento XII (1336).

Maior rigidez na cor se observa a partir da divisão da Ordem, ocorrida em 1517, sobretudo pelo valor simbólico do cinza, que recorda as cinzas e o pó de que somos feitos, e a penitência. O cinza foi a cor oficial para todos os franciscanos até meados do século XVIII. Tanto é assim que, devido às dificuldades para conseguir tal tecido em quantidade suficiente, houve um momento em que as Constituições dos Observantes e dos Capuchinhos ordenaram que cada província fabricasse seus próprios tecidos para conseguir a máxima uniformidade. O capítulo geral de 1694 da Regular  Observância, por exemplo, ordenava “fabriquem-se tecidos em tudo semelhantes na cor e qualidade, na trama e na textura, tecidos com lã branca e negra misturada em tal proporção que resulte, a juízo dos especialistas, um pano cinzento como o vemos nos hábitos e capas de N. P. S. Francisco, S. Bernardino de Sena e S. João de Capistrano, os quais, embora se conservem em províncias e países diferentes, são de uma mesma cor cinza, mais ou menos claro”.

Nos Frades Menores Conventuais se nota certa tendência ao negro já na segunda metade do século XVIII, embora suas Constituições Urbanas, na edição de 1803 impunham o hábito da cor das cinzas. Esta prescrição desapareceu na edição de 1823, em parte porque com a supressão napoleônica, havendo-se extinguido as corporações religiosas, seus membros se viram obrigados a assumir o hábito talar negro do clero secular. Restaurada a Ordem, os frades preferiram continuar com a cor negra, ainda que hoje o cinza se está recuperando novamente, de maneira que assim se vestem quase todos os conventuais da Ásia, África e América, assim como os da Austrália e algumas províncias européias.

Os Frades Menores Observantes passaram da cor cinza a marrom há pouco mais de um século, na segunda metade do século XIX. Iniciou-se na França e se impôs para toda a Ordem no capítulo de Assis de 1895, quando Leão XIII reunificou em uma só as diferentes famílias reformadas: observantes, alcantarinos, recoletos e reformados (“A cor artificial das vestes exteriores se pareça à cor da lã natural negra com tendência ao vermelho, cor que em italiano se chama marrone, e em francês marron”).

Os Frades Menores Capuchinhos seguiram de algum modo a evolução dos Observantes, embora, para evitar qualquer diferença local, em 1912 se estabeleceu que a cor do hábito tinha que ser castanha, a mesmo que o dos observantes, contudo algo mais amarelado (“a cor deve ser castanha, em italiano castagno, em francês marron, em inglês chestnut, em alemão kastanienbraun, em espanhol castaño”).

O mais parecido na forma ao de São Francisco é o hábito dos Capuchinhos, por seu capuz alongado e costurado ao pescoço da túnica. O hábito dos Observantes se distingue por ser mais ajustado e pelo capuz solto que cai sobre os ombros em forma de caparão curto na frente e nos lados, e alargado atrás, até a cintura. O hábito dos Conventuais é parecido ao dos Observantes, porém o capuz é menor e o caparão mais baixo, até quase tocar os cotovelos (na regra diz: “caparão até o cíngulo”). O hábito dos Terciários Regulares ou frades da TOR era até poucos anos atrás da mesma forma e cor que o dos Conventuais, mas agora voltou à cor tradicional cinza, com caparão baixo e pontiagudo por trás e pela frente.

Mais recentemente surgiram algumas congregações franciscanas com hábitos diferentes, mas muito semelhantes aos já citados, com túnica e capuz cinza ou marrom. Há, no entanto, também tendendo ao celeste, como o dos Franciscanos da Imaculada, e inclusive de cor verde. Não obstante, apesar de as diferenças de forma e cor, o distintivo comum de todos os franciscanos e franciscanas, que os faz diferentes de qualquer outra Ordem ou Congregação da Igreja, é o uso exclusivo do cordão de lã branca, que Francisco escolheu para cingir a cintura, para cumprir fielmente o mandato de Cristo, que enviou a seus apóstolos pelo mundo “sem nada pelo caminho”, nem sequer o cinto (cf. Mt 10).

Quanto ao calçado, São Francisco caminhou sempre descalço, de acordo com o mandato de Jesus aos apóstolos: “não leveis sandálias…” Só nos dos últimos anos de sua vida, para ocultar as vendas ensangüentadas pelos estigmas dos pés, teve que levar sapatos de pele ou de pano, como se pode ver nas relíquias de Assis. A Regra só diz que os frades podem usar calçados em caso de necessidade. As sandálias, entretanto, se impuseram rapidamente, como se pode ver nas pinturas de Giotto, onde todos os frades, exceto Francisco, carregam o mesmo modelo. Mais tarde, os reformados que viviam nas ermidas começaram a usar certas sandálias com solas altas de madeira chamadas tamancos ou “zoccoli”, daí que na Itália, os Observantes fossem também conhecidos por muito tempo como frades “zoccolanti” (zocolantes).

Fonte: www.franciscano.org.br

O significado do TAU franciscano

20 outubro 2011 | No Comments » | Emerson

Há certos sinais que revelam uma escolha de vida. O TAU, um dos mais famosos símbolos franciscanos, hoje está presente no peito das pessoas num cordão, num broche, enfeitando paredes numa escultura expressiva de madeira, num pôster ou pintura.

Ele é um símbolo antigo, que recorda tempo e eternidade. A grande busca do humano querendo tocar sempre o divino e este vindo expressar-se na condição humana. Horizontalidade e verticalidade. As duas linhas: Céu e Terra! Temos o símbolo do TAU riscado nas cavernas do humano primitivo. Nos objetos do Faraó Achenaton no antigo Egito e na arte da civilização Maia. Francisco de Assis o atualizou e imortalizou. Não criou o TAU, mas o herdou como um símbolo seu de busca do Divino e Salvação Universal.

Na Bíblia

Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem”. O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar significa lacrar, fechar dentro de um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.

Francisco de Assis viveu em um ambiente no qual o TAU estava carregado de uma grande riqueza simbólica e tradicional. Assumiu para si a marca do TAU como sinal de sua conversão e da dura batalha que travou para vencer-se. Não era tão fácil para o jovem renunciar seus sonhos de cavalaria para chegar ao despojamento do Crucificado que o fascinou. Escolhe ser um cavaleiro penitente: eliminar os excessos, os vícios e viver a transparência simples das virtudes. Na sua luta interior chegou a uma vitória interior. Um homem que viveu a solidão e o desafio da comunhão fraterna; que viveu o silêncio e a canção universal das criaturas; que experimentou incompreensão e sucesso, que vestiu o hábito da penitência, que atraiu vidas, encontrou um modo de marcar as paredes de Santa Maria Madalena em Fontecolombo, de assinar cartas com este sinal. De lembrar a todos que o Senhor nos possui e nos salva sob o signo do TAU.

São Francisco

O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal da luz, vida e sabedoria.

Os biógrafos franciscanos nos dão testemunhos da importância que São Francisco dava ao TAU: “O Santo venerava com grande afeto este sinal”, “O sinal do TAU era preferido sobre qualquer outro sinal”, “O recomendava, freqüentemente, em suas palavras e o traçava com as próprias mãos no rodapé das breves cartas que escrevia, como se todo o seu cuidado fosse gravar o sinal do TAU, segundo o dito profético, sobre as fontes dos homens que gemem e lutam, convertidamente a Jesus”, “O traçava no início de todas as suas ações”, “Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas” (cf. LM 4,9; 2,9; 3Cel 3). Assim Francisco vestia-se da túnica e do TAU na total investidura de um ideal que abriu muitos caminhos.

Francisco se apropriou da bênção deuteronômica, transcreveu-a com o próprio punho e deu a Frei Leão: “Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a tua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz. Irmão Leão; o Senhor te abençoe!” Sob o texto da bênção, o próprio Frei Leão fez a seguinte anotação: “São Francisco escreveu esta bênção para mim, Irmão Leão, com seu próprio punho e letra, e do mesmo modo fez a letra TAU como base”. Assim, Francisco, num profundo momento de comunicação divina, com delicadeza paternal e maternal, abençoa seu filho, irmão, amigo e confidente. Abençoar é marcar com a presença, é transmitir energias que vêm da profundidade da vida. O Senhor te abençoe!

O TAU, o cordão e os três nós

Em geral, o Tau pendurado no pescoço por um cordão com três nós. Esse cordão significa o elo que une a forma de nossa vida. O fio condutor do Evangelho. A síntese da Boa Nova são os três conselhos evangélicos=obediência, pobreza, pureza de coração. Obediência significa acolhida para escutar o valor maior. Quem abre os sentidos para perceber o maior e o melhor não tem medo de obedecer e mostra lealdade a um grande projeto. Pobreza não é categoria econômica de quem não tem, mas é valor de quem sabe colocar tudo em comum. Ser pobre, no sentido bíblico-franciscano, é a coragem da partilha. Ser puro de coração é ser transparente, casto, verdadeiro. É revelar o melhor de si. Os três nós significam que o obediente é fiel a seus princípios; o pobre vive na gratuidade da convivência; o casto cuida da beleza do seu coração e de seus afetos. Tudo isto está no Tau da existência!

Muita gente usa o Tau. Não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda um caminho de salvação que vai sendo feito ao seguir, progressivamente, o Evangelho. Usar o TAU é colocar a vida no dinamismo da conversão: Cada dia devo me abandonar na Graça do Senhor, ser um reconciliado com toda a criatura, saudar a todos com a Paz e o Bem. Usar o TAU é configurar-se com aquele que um dia ilumina as trevas do nosso coração para levar-nos à caridade perfeita. Usar o TAU é transformar a vida pela Simplicidade, pela Luz e pelo Amor. É exigência de missão e serviço aos outros, porque o próprio Senhor se fez servo até a morte e morte de Cruz.

Fonte: www.taufrancisco.com.br

Site da Paróquia

24 setembro 2011 | No Comments » | Emerson

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